Pois é, toda ação tem uma reação, mesmo que a ação só aconteça em seus pensamentos. Talvez aí esteja o maior problema de todos para você mesmo: pensar e não fazer.
Ação: você pensa, pensa, pensa, se estressa, tenta achar maneiras de ajudar ou mudar a situação. E isso vem acontecendo há alguns meses, se intensificando nos últimos dois.
Reação: crises de ansiedade, dor de cabeça, mal-humor, dores nas costas... pois é, me encontro aqui neste momento com o pescoço todo torto, dolorido... dor que vai descendo até minha omoplata... hoje já se espalhou para o lado direito das costas, mas acredito que seja mais por esforço de sustentar meu corpo sem me deitar por muito tempo. Estou com um incômodo chatíssimo de estar aqui sentada meio que sem apoio, mas a necessidade de desabafar é imensa! Minha cama pode me aguardar mais um pouco, além do que já passei quase que o dia inteiro nela.

5ª feira (ontem), por volta de 15 horas - sinto uma fisgada no pescoço, mas vejo que de ficar quieta, a dor melhorava. Resolvi procurar por um relaxante muscular, pois a dor estava me incomodando bem mais do que queria. Como não achei, acabei optando pelo Paracetamol, pelo menos tinha algum efeito analgésico. Me sento na frente do computador, volto à trabalhar, mas a dor persiste... começo a digitar um texto para meu chefe e quando chega perto de 16 horas sinto uma fisgada terrível no pescoço e uma dor sem igual. Lascinante ao ponto de me paralisar por alguns segundos, enquanto o espasmo não passava. Parecia que queimava... não achava uma posição melhor, que poderia suavizar a dor. Bato à porta do meu chefe, digo o quanto estou sentindo dor... pela cara dele eu devia estar péssima, pois logo se levantou e me ajudou a sentar no sofá/divã da sala dele. Sim, ele é psiquiatra/analista. Disse pra eu deitar lá e ir relaxando, era o único jeito de sentir algum tipo de alívio... fechou a porta, virou e me disse: "vou aproveitar que você está aqui e te falar algumas coisas, venho te observando há algum tempo." De repente ele solta uma pergunta e começo a falar... acabamos fazendo uma sessão de análise de meia-hora. Nunca uma pessoa falou tanta verdade sobre mim, e só foi necessário eu responder à primeira pergunta que ele me fez. "Você tem que parar de carregar esse alguém nas costas, não adianta sentir culpa... você não é nenhuma salvadora. Não carregue ninguém nas costas, preste bastante atenção nisso porque é perigoso. Não tente salvar, e sim entrar como
colaboradora." Ele me explicou a razão dessa dor terrível que sentia no pescoço, carregar tanto peso assim não pode fazer bem à ninguém. E claro, a culpa disso tudo é só minha e de mais ninguém. "Porque você se incomoda por ela? Deixe que ela se mostre incomodada, que peça sua ajuda... e aí você entra como colaboradora, não salvadora." Não sei quantas vezes ele repetiu isso. E como fez sentido... nada como um profissional para te jogar a verdade na cara da maneira mais crua possível, sem que você queira matar a pessoa que te diz isso tudo. Em nenhum momento senti raiva, a não ser de mim mesma. Como é que não enxerguei isso antes? Estava ali, na minha frente, mas eu não percebia. É, quem sabe agora eu perceba que quem precisa de ajuda sou eu e que não tem nada de mais nisso. Se fazer de forte nem sempre ajuda, no meu caso só piora a situação. Apesar de estar tomando um analgésico super forte mais um relaxante muscular receitados pelo ortopedista que me atendeu ontem na emergência, a dor persiste. Aham, terminei à noite indo para o hospital, pois mal conseguia me levantar da cama, quase morria de dor. E andar então? A cada vez que contraía meu pescoço tinha que parar e esperar aquela queimação parar. Adivinha qual foi a primeira pergunta que ouvi quando fui atendida? "Você anda estressada, ansiosa?" Ô, e como! Obviamente ele nem precisou me perguntar nada para ver que eu tinha dado um mal jeito no pescoço, pois estava toda torta. Cervicalgia aguda foi o diagnóstico do médico. Aguda, cara. Essa palavra me assustou, mais do que a bizarra cervicalgia... e me assustei mais ainda quando ele disse que tive um espasmo muito forte, por isso comecei a sentir aquela dor terrível que me paralisou. Estou usando um colar cervical para me ajudar a não sentir tanta dor enquanto me encontro sentada ou de pé, andando. "Você é muito nova, viu?" Ouvi isso de duas pessoas hoje. É, estou novíssima para ter esse tipo de coisa...
Hoje acordei pela 1ª vez às 5:30 da manhã na mesma posição que havia me deitado por volta de meia-noite de ontem, nem meus braços eu mexi. Quando me levantei pela 2ª vez, por volta de 8:00, o efeito das medicações que o ortopedista me deu lá no hospital para eu conseguir dormir já havia passado. Quanta dor, meu Deus... fiquei sentada chorando por alguns segundos, até conseguir me levantar de novo. Chorei mais de raiva do que de dor, na verdade. Mesmo quando tinha um espasmo e não conseguia me mexer, por pior que a dor fosse, senti mais raiva do que qualquer outra coisa.
É dona Carolina, dê seu jeito. Seu corpo implora por uma solução, e rápida. Senão daqui pra frente só piora. Se cuide.
