E então ontem foi meu dia. Meu. Só meu. 4 de abril. Um dia lindo e feliz! Afinal eu completei 25 anos… e não é todo dia que se completa um quarto de século de vida, não é mesmo? Tinha de ser um dia feliz.
Supostamente.
Acordei no pior dia de minha TPM, querendo matar o primeiro que passasse na minha frente. Mas respirei fundo, afinal era o meu dia, eu deveria aproveitá-lo e ser amor. Brinquei com minha cã, dei bom dia pra minha mãe. De repente ela deu um ataque, como se tivesse esquecido essa data importante, e me encheu de beijos. Deu parabéns e me agarrou. Mas que saco, mãe! Sai daqui! Você sabe que odeio que me agarrem. Tá. Passados alguns minutos, meu celular apitou avisando que eu havia recebido uma mensagem. “Happy birthdei. Ti amo.” Era o jacú-mor, vulgo meu pai. Ri. Levantei, fui lá dentro tomar meu banho e no caminho trombo com o papai… ele ri e pergunta se recebi a mensagem. Me dá um beijo, um abraço e os parabéns. Vou pro banho feliz. Depois fui pro salão pintar as minhas belas unhas de vermelho. Como sempre. Mas ontem era meu dia, então pintei de um vermelho mais forte e escuro. Queria ficar poderosa. Não. Eu queria mesmo era ter aproveitado pra fazer as unhas do pé, a sobrancelha e depilar. Mas essa vida de estudante sustentada pelo pai só me permitiu fazer a mão. Tudo bem. Cheguei de volta em casa, fui fazer meus pés e a sobrancelha. Me depilar a mim mesma? Sem chance. Requer abilidades de alongamento e elasticidade que não possuo.
Ah sim, às 17h ia ter o tal Pillow Fight (procurem no Google), minha irmã estava me falando disso há tempos e que era pra eu ir também, a galera da faculdade dela iria em peso. Tudo bem, eu fui. Minha mãe foi junto pra tirar foto da gente por lá. E meu primo desceu aqui pra casa e fomos juntos. Programa feliz em família. Tirando o fato de que eu não tinha meu próprio travesseiro, tudo correu bem no caminho até a praça onde rolou o tal evento. Chegamos lá em cima da hora, já estavam fazendo a contagem regressiva: 3, 2, 1… e a guerra de travesseiros começou. Uma loucura. Travesseiros e gente correndo por todo lado, penas e enchimentos voando… uma cena pitoresca. Quis correr lá pro meio com meu primo e irmã, mas desisti logo que lembrei que não tinha meu travesseiro. Como eu ia revidar as travesseiradas? Não, não! Peguei a máquina empolgada, tirei fotos e filmei. Minha irmã e meu primo sumiram no meio da multidão enlouquecida e dos travesseiros voadores. Comecei a sentir raiva de não estar ali no meio. Relutei em entrar ali e não conseguir achar um travesseiro pra mim. Senti mais raiva ainda. Eu só fui pr’aquele lugar pensando em relaxar e exorcizar todos os demônios que estavam morando aqui dentro de mim. Não, eu não estava planejando matar alguém à travesseiradas, apenas queria libertar a criança que existe aqui dentro e me divertir. Me descabelar. E rir até perder as forças. Eu tentei rir da cara das pessoas que passavam na rua e não entendiam o que podia ser um bando de loucos fazendo guerra de travesseiro em plena Praça da Liberdade, mas não consegui. Voltei pra casa. Desci a avenida me odiando por não ter me enfiado ali no meio e pegado qualquer travesseiro que caísse por ali, no meio da confusão. De não ter me jogado.
Tudo bem, arrumei meu cabelo e chegou a hora de escolher o vestido. Ou melhor, vestir o escolhido. Ele me deixa com um corpão, adouro. É curto na medida certa, sem me deixar com cara de puta. E então vem minha irmã dizendo que vai usar o Scarpin novo dela. Tudo bem. Tudo bem o caralho! Eu ia usar minha bota, sem salto, e minha irmã que já é gigante vai de salto? Não, senhora! Você vai parar o bar com esse corpão violão, bunda arrebitada… e essa roupa que te deixa gostosona? Não, não e não! Hoje é o meu dia. MEU. Quem vai arrasar sou EU, não você! O aniversário é meu e eu sou a estrela do dia, tá entendendo? Peguei uma sandália anabela preta, com um salto que me deixa bastante alta e elegante. Mas agora não está legal com esse vestido. Que merda. Pego meu vestido de seda de um milhão de dólares, lindão e compridão. Coloco na minha frente. Pai, qual dos dois você acha melhor? Esse que eu tô usando ou o comprido? Ah filha, o comprido, sem dúvida. Todos concordam. Então está decidido. Fico pronta e sigo na frente com meu pai, pra não correr o risco de chegar no bar e estar tudo lotado. Lá eles não fazem reservas. Supostamente.
Trânsito. Procurar um lugar pra estacionar. Meio longe, né? E nesse morro… desci apoiada no meu pai, minhas patelas estavam gritando, querendo pular pra fora dos meus joelhos enquanto fazia força pra me equilibrar em cima daquele salto gigante. Mas não perdi a pose, era o meu dia. Meu. Só meu. Chegamos ao bar. Lotado. Não está entrando ninguém. Ninguém mesmo, moço? Não. E eu marquei com uma turma de 10 pessoas… sem chances de conseguir uma mesa grande lá dentro pro resto da noite. Merda. Cu. Caralho. Porra. Rezo pro meu pai não perder a curta paciência dele e me irritar mais ainda. Vamos pr’aquele bar ali, filha. Vai ter que ser uma coisa aqui do lado, já que você marcou com seus amigos. O quê? Tá maluco? Naquele restaurante árabe? Vou comer esfiha? Nem fudendo que fico ali, odeio aquele lugar. Não é nada do que eu queria! Ai, eu quero minha mãe!
Muito stress depois, fui parar no bar em frente. Pelo menos tinha uma ambiente legal, apesar do nome blasé. A galere foi me lá me ver, amigos queridos e lindos, joguei bastante conversa fora, cantei parabéns e enchi a cara de capirinha. Coisa linda de se ver. Atoron. Cheguei em casa por volta de meia-noite e meia. Feliz. Meus amigos são poucos, mas queridos. Queridíssimos, aliás. Mas apesar de tudo, eu ainda não me sentia completa. Nada do que eu programei saiu como eu queria. Como planejado eu sabia que não ia sair, sempre tem algum imprevisto, mas eu precisava ter me exorcizado na Pillow Fight. Ter ido no bar que eu queria. É, eu, eu, eu e eu. Meus amigos e família que me desculpem, não é nada com vocês. Aliás, só posso agradecer pela presença e carinho, por terem feito meu dia ficar mais leve. De coração. Mais do que isso, não consigo.
Porque era o meu dia. MEU. E de mais ninguém. Desculpa aí se uma vez por ano eu quero ser o centro das atenções e carinho.
É, se eu já estou surtando por completar 25 anos, imagina quando chegar aos 30. Ah, quando eu chegar lá, me preocupo com isso. E tento ser menos chata.
E escrever menos, quem sabe. NOT.
Beijosnãomeliguem (y)